domingo, 23 de maio de 2010

PIZZA DA VÓ



Finalmente posso dizer que aprendi a fazer a famosa "pizza da vó" com a mesma perfeição da minha mãe,  da Tia Vanda, vó Emília e sua irmã Tia Amélia e quem sabe quantas outras avós. Lembrei da última tentativa que foi quase perfeita e não saiu melhor porque aconteceu junto com toda a emoção da despedida da Thaís, indo morar em Portugal e então fizemos uma maratona de matar todas as vontades de comidas. Lembrei da cartinha que escrevi para ela e que, como todas as histórias da família, envolve as nossas receitas:

Thais
“Enquanto fazia a pizza fiquei pensando que sabor eu quero que você leve em seu coração.  Sabor da Itália, da casa da vó, da minha, da sua. E com este sabor toda a força e energia das mulheres que sabem a alquimia de transformar comida em alimento para a alma.
Pensei também no dia que você  nasceu, como foi bom encostar o meu rosto no seu e esse encontro permanece para sempre gravado em nossos corações.
Então, quando bater a saudade, lembre da pizza da vó (e da mãe), do seu rostinho colado no meu e pense que as estrelas no céu brilham umas para as outras e todas para nós. Então você saberá sempre que o tempo e a distância não existem no espaço maior onde Deus nos uniu. E se as coisas ficarem difíceis em algum momento, não olhe para o problema, olhe para dentro de você. Ali estão todos os sonhos que você tem a seguir e todos os caminhos que Deus preparou para você e eu estou abençoando sempre com meu amor e minhas preces.”

PIZZA ITALIANA DA VÓ
Massa
1 copo de leite morno
2 tabletes de fermento (30 gramas)
1 colher de chá rasa de sal
1 colher de chá rasa de açúcar
1 copo de água
1 colher de sobremesa de sal
½ k de farinha
2 ovos inteiros
½ xícara de óleo

Desmanchar o fermento no leite morno, com a pitada de açúcar e sal.
Colocar a farinha em uma vasilha funda, abrir um buraco na farinha e no centro colocar, o óleo, os ovos, a água e o sal e o fermento desmanchado. Misturar lentamente até

Untar com óleo uma assadeira retangular média ou redonda.
Para espalhar a massa na assadeira molhe as mãos na água para não grudar, porque a massa que fica muito mole. Cobrir metade da massa com os tomates e metade com o alho.

Deixar crescer até dobrar de tamanho. Para testar se a massa cresceu colocar uma bolinha da massa em um copo com água, quando a bolinha subir está boa. 

Assar em forno médio.

Coberturas tradicionais:
 De tomate: 1 tomate caqui fatiado. Temperar com azeite, sal, orégano e alho picado.
 Alho e óleo: 4 dentes de alho picados. Temperar com sal, azeite e orégano.
Outras coberturas:  se quiser uma pizza mais sofisticada e leve cubra só com alecrim. Ou misture cebola, alho e tomate picados, temperando com azeite e  manjericão.
Para ter um sabor mais forte acrescente aliche  na cobertura de tomates.



sábado, 22 de maio de 2010

BOLO DE MAÇÃ



Ingredientes
3 maçãs descascadas ( lavar bem e reservar a casca)
1 xícara de óleo
2 xícaras de açúcar
3 ovos
2 xícaras de farinha
1 colher de sopa de pó Royal
1 colher de chá de canela em pó

Modo de fazer
Bater no liquidificador: as cascas da maçã, o óleo, o açúcar e os ovos inteiros.
Em uma tigela colocar a farinha, o pó Royal, as maçãs picadas e a canela.
Misturar tudo, colocar por cima açúcar cristal e canela e assar em forma untada.

domingo, 9 de maio de 2010

CONVERSA DE MÃE II



Quando eles são crianças
O trabalho parece que não vai acabar nunca.
Fraldas  para trocar. E lavar. Trocar e lavar de novo.
Noites sem dormir. Madrugadas de sonâmbulos.
Brinquedos pela casa toda.
Arrumar as lancheiras. Levar para a escola. Buscar.
E esquecer de buscar  também.
Um tempo atribulado.
Tão depressa que passa, a gente nem percebe.
Quando vemos. Já foi.

E então. A casa  muda de cara.
E temos adolescentes crescendo. E como crescem.
Às vezes são problema. Outras nem tanto.
Mas esse tempo também passa rápido.
E quando vemos. Já foi de novo.
Na verdade, o tempo não passa tão depressa assim.
Nós é que corremos demais
e  passamos por ele sem absorver cada segundo.

Então, de repente, olhamos nossos filhos criados. 
E  temos saudade da bagunça.
Das brigas de criança, 
dos brinquedos  espalhados.
Bonecas. Carrinhos. Ursinhos de pelúcia.
Repousam nos armários como doces lembranças.

E nós as mães que tanto corremos,
que tanto amamos.
Nem tanto usufruímos de todo esse tempo bom.
Não vamos olhar para traz e pensar se tudo foi perfeito.
Vamos sim, olhar nos olhos dos nossos filhos.
Enxergar os homens e mulheres
que estamos formando. E pensar:
Deus me ofereceu uma  parte de sua criação
para que eu  a conduzisse neste mundo.
Uma criança segurou minha mão confiante no amanhã.
Se eu ofereci a ela esta certeza
e o brilho em seus olhos me responde tudo.
Então, estou em paz.

Mila Braga                                        

CONVERSA DE MÃE

Meu filho
Eu queria que você me ouvisse quando falo baixo,
para não ter que gritar.
Eu queria que você me atendesse na primeira vez,
para não ter que falar mil vezes.
Eu queria que você pendurasse a toalha depois do banho,
colocasse as roupas sujas para lavar,
deixasse o quarto em ordem,
guardasse todos os seus brinquedos,
fizesse a lição todos os dias
e só tirasse boas notas na escola.
Eu queria mais que as coisas simples de todo dia .
Queria que você tivesse amor pelas plantas, pelos animais
e por todas as pessoas.
Queria que você compreendesse a vida interior que pulsa em todas as coisas.
Queria que você estivesse livre de todos os perigos,
de todas as doenças e de todos os inimigos.
Queria que você estivesse sempre perto de mim,
para que pudesse protegê-lo.

Meu filho, eu queria tantas coisas grandes e pequenas
e então eu comecei a pensar o quanto esse querer é banal.
Porque o tumulto que você faz movimenta a minha vida,
porque os seus brinquedos espalhados me contam o quanto você se divertiu com eles
e tenho certeza que você adora saber que é importante e por isso gosta que eu fale todos os dias a mesma coisa, só para ouvir a minha voz se repetindo, repetindo, repetindo...

E lembrei  também que importante mesmo
é saber que  eu represento o espelho do mundo
através do qual você vai descobrir tudo que existe lá fora.
Então, eu comecei a querer ser uma pessoa melhor, mais calma, mais equilibrada,
mais educada, mais forte na minha fé e mais meiga nos meus atos.
Porque só assim eu vou fazer de você tudo que quero:
um ser melhor para si mesmo e para o mundo.

Hoje, meu filho, eu não quero nada de você, porque já tenho tudo:
você existe e isso é o bastante para que eu possa querer tudo de mim para doar a você.

MILA BRAGA

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Todas as Vidas


Às vezes quero cozinhar, outras escrever.
Quando não posso nem uma nem outra coisa, contento-me com a poesia inspiradora  de quem já viveu tantas vidas numa só e ainda assim,  ao final dela, ainda mexia suas panelas de doces e de palavras. Receita básica de Cora Coralina:


Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé
do borralho,
olhando para o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço...
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo...
Vive dentro de mim
a lavadeira
do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d'água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde
de São-caetano.
Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.
Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada,
sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.
Vive dentro de mim
a mulher roceira.
-Enxerto de terra,
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos,
Seus vinte netos.
Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha...
tão desprezada,
tão murmurada...
Fingindo alegre seu triste fado.
Todas as vidas dentro de mim:
Na minha vida –
a vida mera das obscuras

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

SEU DOCE, SUA ALMA



Hoje é aniversário da minha mãe e eu estou fazendo Vienenses. Não por acaso, o doce que me ensinou, assim como tantas outras lições de amor e sabedoria. 

A registrar: o “diga que sim” aprendido com seu avô Paschoal, que concordava com todos e fazia o que queria depois.  Esta não deu ainda para aprender.

A fé inabalável e a força de vida, a mesa acolhedora com café e bolo da tarde, a presença silenciosa que traz conforto a todos,  lições que  estão na fase de treinamento constante.

A compreensão com as marcas da parede, registro de cartazes colados para as boas-vindas do filho voltando pra casa. E eu que não queria colar, me rendi ao seu comentário sábio: se não tivesse as marcas, não teria a alegria também. Vale pra tudo nesta vida e me lembro toda vez que chego em sua casa e vejo as marcas das chaves batendo na porta.

Os Natais alegres de todos os anos, a família toda reunida, aconteça o que acontecer. E o “cabrito à cacciatora” espalhando seu aroma de tantas lembranças nos traz de volta o amor e dedicação dos avós italianos. O famoso cabrito ainda não aprendi, mas a união da família em torno da mesa, esta já veio escrita na alma.

E então, vamos falar dos Vienenses, ou vamos falar da mãe. São tão parecidos que fica difícil distinguir: um doce muito especial, feito de pequenos bolinhos de massa delicada, recheados com creme de baunilha, um a um. E depois passados no açúcar com canela. Um a um. É tão simples que chega a ser chique. É tão tradicional como as pessoas que nasceram no Jahu. E é tão bom que não consigo descrever. Quem não quer um desses?  E quem não queria essa mãe? 

Vienenses...Não é um prato para todos os dias, nem para qualquer festa.
Mas hoje minha mãe faz 80 anos, com uma vitalidade de 60, embora sua alma aquariana já tenha vindo com bem mais de 100 anos.

VIENENSES

Ingredientes
6 ovos
200 gr de açúcar (1 xícara bem cheia)
100 gr de fécula de batata
100 gr de farinha de trigo
1 colher de chá de pó Royal

Bata as claras em neve, acrescente as gemas e torne a bater, colocando o açúcar aos poucos. Bater até esbranquiçar as gemas.
Misture as farinhas em uma tigela e coloque aos poucos misturando sempre.

Unte as forminhas com margarina e coloque a massa em colheradas.

Asse em forno fraco. Retire das forminhas assim que esfriar.
Depois corte os bolinhos um por um, recheie com o creme e passe em açúcar com canela.

Creme do recheio
3 copos de leite
3 gemas
4 colheres de sopa de açúcar
2 colheres de sopa de  maizena
1 colher de chá de baunilha
1 colher de manteiga quando esfriar

Dissolva a maizena em um pouco de leite e acrescente aos poucos no restante dos ingredientes. Leve tudo ao fogo até engrossar, mexendo sempre. Depois de tirar do fogo  acrescente a manteiga e quando esfriar coloque  a baunilha.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

MOUSSE DE NOZES

Ingredientes
2 latas de leite condensado cozido
4 ovos
2 latas de creme de leite sem soro
1 colher de nozes  bem picadas

Modo de Fazer
Cozinhe o leite condensado por 1 hora. Deixe esfriar as latas antes de abrir.

Depois bata bem as gemas. Acrescente o leite condensado cozido e bata novamente.

Para finalizar, sem bater, acrescente o creme de leite e por último as claras em neve.

Misture as nozes e leve ao freezer.

Na hora de servir decore com nozes inteiras.
Pode acompanhar bolo simples de nozes.