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quarta-feira, 13 de maio de 2015

XAROPE DE ERVAS




Depois de duas semanas de gripe e tosse, tomando remédios homeopáticos, chás, canja com inhame etcetera e tal, minha amiga Emma se ofereceu para trazer folhas de Guaco para fazer seu famoso xarope de ervas. Ela me deu a receita faz tempo, já preparei várias vezes, curou tanta gente e eu tinha esquecido dos seus poderes. Quase mágicos diria. Fiz, tomei quentinho ainda. Dormi. Sarei. Acordei com vontade de escrever.

Gosto de pensar que sou uma bruxa do bem. Como num sonho, lembrança de outras vidas ou planos de futuro, me vejo morando em uma casa dentro do tronco de uma árvore. A entrada é um jardim encantado. As flores se penduram nas janelas. O vento traz o aroma dos campos. Campos de lavanda. A porta fica sempre aberta. Não existe perigo, só bênçãos.

Tenho cabelos brancos, uso avental e vivo em uma enorme cozinha. Nas prateleiras  os vidros têm etiquetas de todas as ervas. As que eu plantei, colhi, sequei ou ganhei de visitantes inesperados.  Mesmo sabendo que são todos esperados há tempos. Preparo poções mágicas de cura. Somos feitos de barro, o que vem dele há de curar.

Algumas prateleiras têm vidros com letrinhas. Gosto de fazer poções com elas também. Deus criou o mundo com as palavras, se realmente somos feitos à sua imagem e semelhança podemos criar com elas. E muito. Agora mesmo estou tentando.

Assim, entre ervas e letrinhas eu durmo às vezes sonhando que sou bruxa e acordo com a certeza de que já fui. Ou serei.

E se você quiser tentar essa receitinha milagrosa para tosse e gripe, basta preparar com intenção de cura. Sempre rende três vidros pequenos. Fico com um e reservo os outros para quem precisar.

XAROPE DE ERVAS DA EMMA

I xícara de chá de guaco (só as folhas)
1 colher de sopa de manjericão
1 colher de sopa de manjerona
1 colher de sopa de folhas de laranjeira
1 colher de sopa de agrião
1 colher de sopa de gengibre
1 colher de chá de cravo e 1 de canela em pó
2 copos de açúcar. 

Dourar o açúcar junto com as ervas. Quando estiver formando a calda  acrescentar 1 litro e mais 1 copo de água quente. Colocar a água com cuidado porque a calda ferve. Deixar ferver até engrossar.
Tirar do fogo, coar e acrescentar 1 vidro de mel.
Se for guardar por mais tempo, colocar na geladeira.




quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Amigas

Amigas. Diria que tenho muitas. Espalhadas pelo mundo, cada uma partiu num projeto de vida, correndo atrás de sonhos e  oportunidades e assim, eu também fui para outros cantos.  E agora  estão todas bem  perto de mim. Chegamos sem querer nos mesmos pontos de referência da alma.
E foi assim que encontrei a Tereza Mainardi  depois de tantos anos sem nos vermos e descobrimos tanto em comum. Um convite para jantar com amigos. Ela preparou sua famosa Moqueca de Caju Fresco.  Simples, chique, maravilhoso prato que tão bem demonstra a criatividade do povo brasileiro. 
Obrigada Tereza, pela amizade,  por ter me colocado no melhor emprego da minha vida ( e como você bem disse, de todos que passaram pela Proeme) , de onde sairam também tantos amigos para sempre. Obrigada pelo jantar, os novos amigos, por tudo isso me lembrar que  Deus já cuidou tão bem de mim e cuidará de novo. E obrigada pela receita que você me permitiu compartilhar aqui na minha panela de ferro. 


MOQUECA DE CAJU FRESCO

Para 6 pessoas
Ingredientes:
6 cebolas
6 tomates
3 pimentões  ( um de cada cor: vermelho, verde e amarelo)
6 cajus cortados ao meio e sem a castanha

Para o refogado
Modo de fazer:
1 colher de sopa de azeite de dendê
óleo de soja
4 dentes de alho inteiros
4 cajus maduros
Modo de fazer:
Refogar tudo e acrescentar os cajus maduros
Quando formar o molho, colocar em camadas os demais ingredientes cortados em rodelas grossas.
Cozinhar em panela tampada.
Misturar com cuidado e no final colocar um maço de coentro com as raízes, sem picar.

Acompanha arrroz branco e farofa de farinha de milho especial.
Coloque pimenta  na mesa para quem se arriscar,
convide seus melhores amigos e faça um brinde ao povo brasileiro.

sábado, 1 de agosto de 2009

BOLO DE FUBÁ DA HELÔ

Sempre que chega do México, minha grande amiga Helô está cheia de vontades brasileiras: pão de queijo, bolo de fubá ... café...Então, corremos no mercado comprar o fubá e ela me deu esta receita básica.

Massa
3 xícaras de Fubá
2 xícaras de Açúcar
1 xícara de óleo de milho
1 vidro de leite de coco ( menos 1 xícara de café)
1 colher de sopa de erva-doce

Cozinhar tudo junto na panela
Depois de ferver deixar mais ½ '
Quando amornar acrescentar 3 gemas, uma a uma.

Dissolver na massa 1 colher de sopa de fermento em pó e
acrescentar as claras em neve.

Colocar em forma untada com pouco óleo.
Assar em forno pré aquecido.

Quando sair do forno colocar a cobertura:
1 xícara de açúcar misturada com 1 xícara de café de Leite de coco.


" e já que temos fubá em casa, não custa pegar uma colher de fubá , misturar com mel e passar no rosto pra ficar com a pele bem limpa e macia"
Aqui temos receita para tudo.

sábado, 23 de junho de 2007

DOCES LEMBRANÇAS

Linzertorte: o prato mais esperado de todos os aniversários da Lela, filha da D. Érica e uma de minhas melhores amigas de toda a vida. Sabor da Áustria em noite brasileira. Uma incrível massa de amêndoas com recheio de geléia cuja receita parecia inatingível. Até o dia em que ela me convidou para fazer o famoso doce em sua cozinha. Que dia!

Para começar a D. Érica era para mim uma verdadeira autoridade, em todos os sentidos: mulher forte, dominante, reunia a sabedoria da vida com o saber da cozinha. E como hoje eu sei o quanto esses dois saberes se unem!

Suas casas, que eu freqüentei tantas vezes, um sobrado adorável no Sumaré e a outra no Guarujá estavam sempre limpas e organizadas. Uma referência de lar quando eu morava longe da minha família. Na sua sala de TV havia sempre uma sacola com trabalhos manuais: tecer a lã também é tecer a vida.

Mas aos poucos ela contava uma história e depois outra de tantas passagens nem sempre tão boas. Os alemães, a invasão de seu país, a guerra, servir o exército como enfermeira. A vinda para o Brasil. E ela sempre lembrava que havia só um prego para pendurar as roupas quando chegaram recém casados, ela e o marido para começar uma vida nova num país estranho.

A realidade agora era outra, mas as dificuldades não ficaram só no passado. E ela enfrentou com força e coragem a doença do marido, a viuvez, a perda de netos, de um filho. Quantas perdas! Mas a coragem era a mesma. Sempre arrumada, sempre disposta a fazer uma caminhada ou uma viagem, um bolo para os netos, um tricô para alguém. Sua energia parece interminável.

Como um filme essa imagens passaram por mim agora, quando tentei voltar para aquela cozinha da casa do Sumaré, onde aprendi a fazer a Lintser Torte. A cozinha tinha uma incrível ordem de todas as coisas e esta foi a minha primeira lição. A outra: usar manteiga quando a receita pedir manteiga, mas quando não tiver amêndoas pode substituir por castanha de caju. Também me pareceu uma outra lição: use bons ingredientes, mas aprenda a ter flexibilidade para fazer o prato que você quer.

Muitas outras receitas vieram depois. O segredo do Apfelstrudel é ralar a maçã e deixar escorrer o caldo. E as geléias do café da manhã podem ter o sabor doce e amargo da laranja. Tudo feito por ela, com o carinho e capricho que só as mulheres sábias podem ter.

E neste dia em que comemoramos os seus 80 anos eu posso dizer que a melhor lembrança de toda a nossa amizade é sempre doce, como a Lintser Torte, o Apfelstrudel e as geléias de laranja e damasco.

D Érica: quando conheci a Lela eu ganhei duas amigas. Obrigada por suas receitas de vida. Com carinho. Mila

LINZERTORTE

Ingredientes

150 gr de farinha de trigo
250 gr de açúcar
250 gr de manteiga
250 gr de amêndoa sem casca moída.
1 colher de chá de cravo moído ( junto com a amêndoa)
1 colher de chá de canela em pó
1 ovo
1 colher de chá de pó Royal

Recheio
1 vidro de geléia de Framboeza

Fazer uma farofa uniforme com os ingredientes secos, acrescentar a manteiga e o ovo.
Forrar uma forma de fundo falso com metade da massa.
Passar uma camada de geléia.
Fazer uma trança grossa com a outra parte de massa sobre a geléia e na volta da assadeira.
Preencher os vãos da trança com o restante da geléia.

Assar em forno fraco.
Pode ser congelada.