sexta-feira, 23 de abril de 2010

Todas as Vidas


Às vezes quero cozinhar, outras escrever.
Quando não posso nem uma nem outra coisa, contento-me com a poesia inspiradora  de quem já viveu tantas vidas numa só e ainda assim,  ao final dela, ainda mexia suas panelas de doces e de palavras. Receita básica de Cora Coralina:


Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé
do borralho,
olhando para o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço...
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo...
Vive dentro de mim
a lavadeira
do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d'água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde
de São-caetano.
Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.
Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada,
sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.
Vive dentro de mim
a mulher roceira.
-Enxerto de terra,
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos,
Seus vinte netos.
Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha...
tão desprezada,
tão murmurada...
Fingindo alegre seu triste fado.
Todas as vidas dentro de mim:
Na minha vida –
a vida mera das obscuras

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

SEU DOCE, SUA ALMA



Hoje é aniversário da minha mãe e eu estou fazendo Vienenses. Não por acaso, o doce que me ensinou, assim como tantas outras lições de amor e sabedoria. 

A registrar: o “diga que sim” aprendido com seu avô Paschoal, que concordava com todos e fazia o que queria depois.  Esta não deu ainda para aprender.

A fé inabalável e a força de vida, a mesa acolhedora com café e bolo da tarde, a presença silenciosa que traz conforto a todos,  lições que  estão na fase de treinamento constante.

A compreensão com as marcas da parede, registro de cartazes colados para as boas-vindas do filho voltando pra casa. E eu que não queria colar, me rendi ao seu comentário sábio: se não tivesse as marcas, não teria a alegria também. Vale pra tudo nesta vida e me lembro toda vez que chego em sua casa e vejo as marcas das chaves batendo na porta.

Os Natais alegres de todos os anos, a família toda reunida, aconteça o que acontecer. E o “cabrito à cacciatora” espalhando seu aroma de tantas lembranças nos traz de volta o amor e dedicação dos avós italianos. O famoso cabrito ainda não aprendi, mas a união da família em torno da mesa, esta já veio escrita na alma.

E então, vamos falar dos Vienenses, ou vamos falar da mãe. São tão parecidos que fica difícil distinguir: um doce muito especial, feito de pequenos bolinhos de massa delicada, recheados com creme de baunilha, um a um. E depois passados no açúcar com canela. Um a um. É tão simples que chega a ser chique. É tão tradicional como as pessoas que nasceram no Jahu. E é tão bom que não consigo descrever. Quem não quer um desses?  E quem não queria essa mãe? 

Vienenses...Não é um prato para todos os dias, nem para qualquer festa.
Mas hoje minha mãe faz 80 anos, com uma vitalidade de 60, embora sua alma aquariana já tenha vindo com bem mais de 100 anos.

VIENENSES

Ingredientes
6 ovos
200 gr de açúcar (1 xícara bem cheia)
100 gr de fécula de batata
100 gr de farinha de trigo
1 colher de chá de pó Royal

Bata as claras em neve, acrescente as gemas e torne a bater, colocando o açúcar aos poucos. Bater até esbranquiçar as gemas.
Misture as farinhas em uma tigela e coloque aos poucos misturando sempre.

Unte as forminhas com margarina e coloque a massa em colheradas.

Asse em forno fraco. Retire das forminhas assim que esfriar.
Depois corte os bolinhos um por um, recheie com o creme e passe em açúcar com canela.

Creme do recheio
3 copos de leite
3 gemas
4 colheres de sopa de açúcar
2 colheres de sopa de  maizena
1 colher de chá de baunilha
1 colher de manteiga quando esfriar

Dissolva a maizena em um pouco de leite e acrescente aos poucos no restante dos ingredientes. Leve tudo ao fogo até engrossar, mexendo sempre. Depois de tirar do fogo  acrescente a manteiga e quando esfriar coloque  a baunilha.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

MOUSSE DE NOZES

Ingredientes
2 latas de leite condensado cozido
4 ovos
2 latas de creme de leite sem soro
1 colher de nozes  bem picadas

Modo de Fazer
Cozinhe o leite condensado por 1 hora. Deixe esfriar as latas antes de abrir.

Depois bata bem as gemas. Acrescente o leite condensado cozido e bata novamente.

Para finalizar, sem bater, acrescente o creme de leite e por último as claras em neve.

Misture as nozes e leve ao freezer.

Na hora de servir decore com nozes inteiras.
Pode acompanhar bolo simples de nozes.





quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Amigas

Amigas. Diria que tenho muitas. Espalhadas pelo mundo, cada uma partiu num projeto de vida, correndo atrás de sonhos e  oportunidades e assim, eu também fui para outros cantos.  E agora  estão todas bem  perto de mim. Chegamos sem querer nos mesmos pontos de referência da alma.
E foi assim que encontrei a Tereza Mainardi  depois de tantos anos sem nos vermos e descobrimos tanto em comum. Um convite para jantar com amigos. Ela preparou sua famosa Moqueca de Caju Fresco.  Simples, chique, maravilhoso prato que tão bem demonstra a criatividade do povo brasileiro. 
Obrigada Tereza, pela amizade,  por ter me colocado no melhor emprego da minha vida ( e como você bem disse, de todos que passaram pela Proeme) , de onde sairam também tantos amigos para sempre. Obrigada pelo jantar, os novos amigos, por tudo isso me lembrar que  Deus já cuidou tão bem de mim e cuidará de novo. E obrigada pela receita que você me permitiu compartilhar aqui na minha panela de ferro. 


MOQUECA DE CAJU FRESCO

Para 6 pessoas
Ingredientes:
6 cebolas
6 tomates
3 pimentões  ( um de cada cor: vermelho, verde e amarelo)
6 cajus cortados ao meio e sem a castanha

Para o refogado
Modo de fazer:
1 colher de sopa de azeite de dendê
óleo de soja
4 dentes de alho inteiros
4 cajus maduros
Modo de fazer:
Refogar tudo e acrescentar os cajus maduros
Quando formar o molho, colocar em camadas os demais ingredientes cortados em rodelas grossas.
Cozinhar em panela tampada.
Misturar com cuidado e no final colocar um maço de coentro com as raízes, sem picar.

Acompanha arrroz branco e farofa de farinha de milho especial.
Coloque pimenta  na mesa para quem se arriscar,
convide seus melhores amigos e faça um brinde ao povo brasileiro.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Profiterole de Pão de Mel

Profiterole de Pão de Mel
do Restaurante Casinha de Monet
Chef Luis Serra
Tempo de preparo: 1 hora
Dificuldade: fácil

Massa de pão de mel
Ingredientes:
225g de farinha de trigo
2 ovos
100g de chocolate em pó
200ml de mel
30g de bicarbonato de sódio
250ml de água ou leite

Preparo:
Bater as claras em neve e reservar. Colocar a calda de açúcar mascavo, já fria, em uma batedeira, juntar as gemas, o chocolate, o mel, água e o bicarbonato, bater bem até ficar homogênea. Juntar as claras em neve delicadamente. Encher forminhas de pão de mel até a metade, untadas com manteiga e farinha de trigo e levar ao forno a 200°, pré aquecido por 10 min.

Calda para massa do pão de mel
Ingredientes:
250g de açúcar mascavo
250 ml de água
10g de cravo moído
10g de canela em pó

Preparo da massa:
Juntar todos os ingredientes em uma panela funda e colocar no fogo, quando levantar fervura, baixar o fogo e deixar por 6 minutos. Deixar esfriar.



Abrir no meio os pães de mel
Rechear com doce de leite, uma bola de sorvete de creme
Cobrir com a outra metade
E colocar a calda de chocolate quente por cima


Calda de chocolate quente
400 gr de Chocolate meio amargo
500 gr de creme de leite fresco
1' no microondas, misturar
mais 1 ' e misturar novamente.
Enfeitar com raminhos de hortelã

terça-feira, 3 de novembro de 2009

ESCREVER, COZINHAR , CRIAR ....


"Quando as mulheres reafirmam seu relacionamento com a natureza selvagem, elas recebem o dom de dispor de uma observadora interna permanente, uma sábia, uma visionária, um oráculo, uma inspiradora, uma intuitiva, uma criadora, uma inventora e uma ouvinte que guia, sugere e estimula uma vida vibrante nos mundos interior e exterior. Quando as mulheres estão com a Mulher Selvagem, a realidade desse relacionamento transparece nelas. Não importa o que aconteça, essa instrutora, mãe e mentora selvagem dá sustentação às suas vidas interior e exterior." Clarissa Pinkola Estés

Faça doces...

"Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça. Faz de tua vida mesquinha um poema..." Cora Coralina